Arqueoplanos compreende uma série de pinturas sobre tela e papel como sequência à série Lummens. No entanto estes trabalhos são realizados na areia da praia, no Rio de Janeiro, em atelier e não dentro das áreas de extração de mineral. Os pigmentos, minerais e resinas são transportados para o suporte, sobre a areia, na baixa da maré, ou sobre dunas, onde se dá o processo de pintura em diversas camadas, tempos de secagem e incorporação de marcas e registros de objetos. A proximidade do mar, do canal e de uma colônia de pescadores propicia a agregação de diversas formas orgânicas e detritos deixados pelos passantes. É como se fenômenos geológicos e arqueológicos ocorressem ao longo do tempo, em um lugar onde a terra se encontra com a água e um elemento interage com outro. Os objetos simulam diálogos entre si, em diferenças de tempo, em distâncias históricas conjeturadas, mas mètricamente muito próximas. È como se uma camada de sedimentos fósseis de 2000 anos estivesse apenas há alguns milímetros de um objeto industrial atual-como se estivessem quase no mesmo plano um fóssil de espinha de peixe e uma bisnaga de pasta de dentes vazia deixada recentemente na areia, para a constituição futura de outro fóssil, hoje objeto contemporâneo. A pintura se confunde com relevos e texturas, de forma a revelar algo quase que impossível: a incorporação de minerais não incidentes ali, trazidos de longe, com areias e sedimentos locais. Evidencia-se a presença de elementos que tiveram vida ou que ainda vivem, mas que parecem existir quase que simultaneamente. O que é efêmero ou permanente não importa. O que importa é terem deixado registros, por intervenção de um terceiro agente humano ou geográfico. São planos que se intercalam e não se definem apenas pelo olhar. As reflexões sobre este conceito de tempo, matéria e materialidade se desdobram para dar suporte à multiplicidade de objetos e pinturas que vão surgindo, paralelamente, em atelier e no local da ação, transformado em um espaço extenso de experimentação ao ar livre. Este processo resulta em uma quase saturação de formas, volumes e “coisas” que se integrarão e formarão um conjunto de fragmentos e “objetos intercalares”. A Série “Arqueoplanos” resultaram em uma exposição na Galeria do Centro Cultural Laura Alvim/Ipanema(RJ) e participaram de diversas coletivas. Resultaram ainda em intervenções, instalações e poema-objetos.
“Arqueoplanos procura, no contratempo do subsolo, os vestígios dos sambaquis submersos na geografia, que se confundem com as marcas de objetos de uso contemporâneo, em uma paisagem real e quase imaginária. A cristalização de uma linguagem equivale à pressuposta efemeridade de outra que a sucede. Permanência e transitoriedade no mesmo ciclo vital. (Xico Chaves, 2000)”.
