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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MARÈS(2007-2010)

Série inédita de pinturas, realizada na areia da praia lisa, na baixa das marés e finalizadas em atelier. Da mesma forma que a série “Arqueoplanos” as pinturas em grande e médio formato são construídas ao ar livre, utilizando minerais, pigmentos e resinas, representando horizontes e geografias imaginárias. Os planos se superpõem até o infinito e correspondem a diversas camadas de pintura com grande proporção de água. Mesmo sugerindo uma desertificação da natureza esta água permanece registrada, pois dela depende a própria composição básica, evaporada pelo calor do sol sobre a areia. Em atelier, em algumas telas, são inseridas linhas e formas geométricas para acentuar as linhas do infinito ou para superpor elementos construtivos, racionais, sobre a quase-abstração informal predominante. Propõem uma reflexão sobre a observação do mar, do espaço cósmico ou do deserto, díspares ambientes, mas capazes de provocar um distanciamento da própria matéria, uma razão para a existência. Sugerem movimento de ondas, ventos, transformações cósmicas, mas o observador é estático, contemplativo ou está em estado de expectativa, de espera, como um pescador diante da interseção da linha de nylon com a linha do horizonte, de noite, de dia. Horizontes e geografias imaginárias de possível existência.



OBJETOS INTERCALARES (1979-2010)

(Fragmentos Intercalares)

A criação de objetos visuais, poéticos e conceituais está presente desde o início da pesquisa de materiais minerais e industriais. Desta forma intercalam as diversas séries ao longo do projeto de pintura e sua produção torna-se ininterrupta, resultando em seqüências e obras isoladas, algumas temáticas e outras aleatórias. Na verdade representam uma experimentação permanente, ou mesmo um descanso da pintura. No entanto é freqüente a alusão à arqueologia, ao tempo de corrosão e permanência de objetos cotidianos que vão se tornando obsoletos ou cuja matéria cai em desuso em um tempo cada vez menor. A “petrificação” destes objetos resulta em uma espécie imaginária de “fósseis contemporâneos” que vão se formando em nosso dia a dia sem que seja percebido de imediato. É uma precipitação de seu destino final, uma aceleração do tempo de uso, a formação antecipada de uma memória futura em tempo presente. A transformação em passado de objetos e referências que ainda estão disponíveis. Há comentários e narrativas, diálogos, associações livres ou direcionadas e incorporação de fenômenos naturais e alquímicos, efeitos de refração e reflexão de luz, magnetismo, inclusão de palavras impressas e desenhos. Dão a impressão de que tudo pode ser absorvido pela matéria ao ponto de se desdobrarem em ressignificações e comentários. Assim como pode haver uma dissolução de tudo isso. São objetos que apontam para uma liberdade absoluta de expressão e interpretação. Surgem de qualquer observação sobre a natureza e nosso transcurso. Podem evoluir exponencialmente, sem indicar um ponto final. “Objetos Intercalares” foram apresentados parcialmente em exposição na Galeria Candido Mendes de Ipanema no ano 2002, simultaneamente à exposição “Arqueoplanos” no Centro Cultural Laura Alvim. Participaram e participam de exposições coletivas de artes visuais e poéticas contemporâneas.



“...satélites artificiais, livros e discos de pedra, caixas óticas, objetos de contato imediato, pedras vivas, óculos cósmicos, fósseis contemporâneos, palavreiros, caixas ígneas, meteoros, objetos imantados, espectros, olhos galáticos, sátiras, filtros atômicos, etcéteras, formam a antimatéria do processo de explosão de uma produção em série e seus vestígios...investigação, conhecimento e processamento de idéias e matérias. ( Xico Chaves, 2002)”










terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ARQUEOPLANOS( 1998-2002)

Arqueoplanos compreende uma série de pinturas sobre tela e papel como sequência à série Lummens. No entanto estes trabalhos são realizados na areia da praia, no Rio de Janeiro, em atelier e não dentro das áreas de extração de mineral. Os pigmentos, minerais e resinas são transportados para o suporte, sobre a areia, na baixa da maré, ou sobre dunas, onde se dá o processo de pintura em diversas camadas, tempos de secagem e incorporação de marcas e registros de objetos. A proximidade do mar, do canal e de uma colônia de pescadores propicia a agregação de diversas formas orgânicas e detritos deixados pelos passantes. É como se fenômenos geológicos e arqueológicos ocorressem ao longo do tempo, em um lugar onde a terra se encontra com a água e um elemento interage com outro. Os objetos simulam diálogos entre si, em diferenças de tempo, em distâncias históricas conjeturadas, mas mètricamente muito próximas. È como se uma camada de sedimentos fósseis de 2000 anos estivesse apenas há alguns milímetros de um objeto industrial atual-como se estivessem quase no mesmo plano um fóssil de espinha de peixe e uma bisnaga de pasta de dentes vazia deixada recentemente na areia, para a constituição futura de outro fóssil, hoje objeto contemporâneo. A pintura se confunde com relevos e texturas, de forma a revelar algo quase que impossível: a incorporação de minerais não incidentes ali, trazidos de longe, com areias e sedimentos locais. Evidencia-se a presença de elementos que tiveram vida ou que ainda vivem, mas que parecem existir quase que simultaneamente. O que é efêmero ou permanente não importa. O que importa é terem deixado registros, por intervenção de um terceiro agente humano ou geográfico. São planos que se intercalam e não se definem apenas pelo olhar. As reflexões sobre este conceito de tempo, matéria e materialidade se desdobram para dar suporte à multiplicidade de objetos e pinturas que vão surgindo, paralelamente, em atelier e no local da ação, transformado em um espaço extenso de experimentação ao ar livre. Este processo resulta em uma quase saturação de formas, volumes e “coisas” que se integrarão e formarão um conjunto de fragmentos e “objetos intercalares”. A Série “Arqueoplanos” resultaram em uma exposição na Galeria do Centro Cultural Laura Alvim/Ipanema(RJ) e participaram de diversas coletivas. Resultaram ainda em intervenções, instalações e poema-objetos.



“Arqueoplanos procura, no contratempo do subsolo, os vestígios dos sambaquis submersos na geografia, que se confundem com as marcas de objetos de uso contemporâneo, em uma paisagem real e quase imaginária. A cristalização de uma linguagem equivale à pressuposta efemeridade de outra que a sucede. Permanência e transitoriedade no mesmo ciclo vital. (Xico Chaves, 2000)”.






LIVRO DE PEDRA ( 1996-2000)

A série Livro de Pedra surge ao longo das experimentações de criação e construção de objetos variados, tomando como referência a “fossilização”, com minerais, pigmentos e resinas, de utensílios domésticos, brinquedos, equipamentos, fragmentos eletrônicos, objetos de uso cotidiano ou invenções com materiais diversos. Trata do descarte rápido dos materiais e formas que os constituem, de sua utilidade e função efêmera e de sua substituição cada vez mais rápida pela indústria e novas tecnologias. O livro de papel tal como o conhecemos é petrificado, tendo sua leitura tradicional bloqueada, seu conteúdo eclipsado, restando apenas a abertura de uma de suas capas, revelando em seu interior um outro objeto incrustado, propondo uma outra “leitura”, que rasura sua função original. Por conter uma carga de significados mais extensa e maior impacto, esta série é produzida frequentemente, fazendo parte dos “objetos Intercalares” que surgem nos intervalos ou concomitantemente às séries de pinturas sobre tela, papel e variados suportes industriais. Acompanham os “livros de pedra” a petrificação de discos LPs, CDs e disquetes, seguindo o conceito estabelecido para uma “arqueologia do futuro”. E exposição “Livro de Pedra” foi apresentada pela primeira vez na Livraria e Sebo Dantes(RJ), no ano 2001 e participa frequentemente de exposições coletivas.