Série inédita de pinturas, realizada na areia da praia lisa, na baixa das marés e finalizadas em atelier. Da mesma forma que a série “Arqueoplanos” as pinturas em grande e médio formato são construídas ao ar livre, utilizando minerais, pigmentos e resinas, representando horizontes e geografias imaginárias. Os planos se superpõem até o infinito e correspondem a diversas camadas de pintura com grande proporção de água. Mesmo sugerindo uma desertificação da natureza esta água permanece registrada, pois dela depende a própria composição básica, evaporada pelo calor do sol sobre a areia. Em atelier, em algumas telas, são inseridas linhas e formas geométricas para acentuar as linhas do infinito ou para superpor elementos construtivos, racionais, sobre a quase-abstração informal predominante. Propõem uma reflexão sobre a observação do mar, do espaço cósmico ou do deserto, díspares ambientes, mas capazes de provocar um distanciamento da própria matéria, uma razão para a existência. Sugerem movimento de ondas, ventos, transformações cósmicas, mas o observador é estático, contemplativo ou está em estado de expectativa, de espera, como um pescador diante da interseção da linha de nylon com a linha do horizonte, de noite, de dia. Horizontes e geografias imaginárias de possível existência.

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