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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

LUMMENS( 1997-1998)

A série “Lummens” é uma variante da série “Limites”, realizada no meio ambiente, em locais de incidência de pigmentos e minerais, mas que incorpora impressões e registros de formas e resíduos de fragmentos de sucatas encontradas nos cemitérios de máquinas e equipamentos das mineradoras. É uma espécie de arqueologia de objetos cuja função se perdeu com o uso e se descaracterizou com o desmonte e a corrosão. Memória quase que indecifrável do rastro de uma ação passada sobre a natureza. Uma forma de “escrita” por meio de peças e matérias que se fossilizam, que voltam a ser óxido, ferrugem e se confundem novamente com a terra, em um estado de transição. Ao longo da série estes corpos adquirem significados ocultos e evidentes, se distanciam e se aproximam de sua origem para comporem uma quase-abstração. Em determinados momentos são superpostos a linguagens das séries anteriores, como se procurassem uma síntese. Formam-se ainda constelações onde se procura representar uma arqueologia do espaço cósmico, como se objetos não identificados formassem uma outra arqueologia, espacial, de memória também não identificada, onde a luz dialoga com a opacidade. Durante o processo de criação desta série se multiplicam objetos denominados arqueologia do futuro, mostrados em parte no ano 2000, na exposição “Objetos Intercalares”. Instalações e intervenções foram realizadas neste período em diversos locais, referenciadas no mesmo conceito. Série “Lummnens” foi apresentada no Paço Imperial/RJ e em algumas coletivas.





LIMITES( 1992-1996)

A série “Limites” é o desdobramento de experimentações realizadas no meio ambiente desde o início do projeto de pintura com minerais. As pinturas sobre lonas, papéis e diversos outros suportes são produzidas dentro das áreas de mineração, desmatamentos, crateras, erosões, barrancos e assoreamentos onde afloram os minerais e pigmentos, removidos pelas máquinas e explosões de dinamite ou mesmo por fenômenos naturais. Os trabalhos são desenvolvidos e concluídos “in loco”, utilizando-se a água limpa represada, corredeiras, cachoeiras e riachos e secos pela luz do sol. Diversas camadas são superpostas até se chegar ao resultado final, de forma a se confundir com o próprio fundo onde foi pintado ou a paisagem ao redor. É uma assimilação de formas e sentidos do ambiente em processo de mutação. Durante os períodos de viagens para a realização desta série foram realizadas ainda caravanas e oficinas com artistas, estudantes e pessoas da região, que também realizaram trabalhos e aprenderam a usar mídias e pigmentos para outras formas de aplicação. Neste mesmo período (1992/93) foi produzido, com direção de Felipe Lacerda e Patrícia Bromirsky e trilha sonora de Jards Macalé, o vídeo “Xico Chaves-Trajetória de Uma Pintura”, premiado no Brasil e no exterior. A série “Limites” resultou em várias exposições no país (Casa França-Brasil, Paço Imperial/RJ, Fundação Jaime Câmara/Go), no exterior e ainda oficinas, seminários, cursos e palestras em universidades, seminários e festivais.


“...percurso epidérmico sobre a geografia em transformação permanente. registro de forma e cor dos materiais encontrados, formando manchas, texturas, ranhuras, pigmentações e depósitos, que a chuva, o vento, o sol, as águas dos riachos desviados e nascentes destruídas reconstroem em busca de novo equilíbrio. Pintura produzida sob influência das mutações, rastro de uma abstração objetiva de formas reais e imaginárias, separadas por um fio tênue que migra de uma referência a outra sob a luz, entre o espírito e a matéria, a desconstrução e a construção. Cortina entre a retina e o objeto, onde a figura e a paisagem se encontram e se separam e a memória presume o futuro...( Xico Chaves, 1993)”





terça-feira, 12 de janeiro de 2010

INFINITOS(1990-1991-1992)

Os processos de criação, experimentação e conhecimento, no exercício das séries anteriores, resultam em domínio de técnicas e materiais que resultam em multiplicidade de linguagens de representação. Esta série consiste na realização de seqüências de pinturas sobre tela em pequenos formatos de forma que funcionem em conjuntos seqüenciados ou de forma unitária.Os minerais e pigmentos, por possuírem uma harmonia natural entre si, possibilitaram unidade e continuidade nestas seqüências, de forma a sugerirem uma infinita possibilidade de combinações e desdobramentos. O domínio das ferramentas, têmperas, tempos, superposições, veladuras e suportes permitiu ainda a diversificação na construção de formas e cores e a liberação de uma linguagem uniforme, compondo seqüências abstratas, paisagísticas e figurativas. A ordem de montagem destas seqüências pode ser alterada e propiciar inúmeras leituras. Na passagem de “Nova Matéria” para “Infinitos” surgem ainda objetos( série Objetos Intercalares), pequenas intervenções e idéias para futuras instalações e propostas autônomas. Série "Infinitos" resultou em diversas exposições individuais e coletivas no país e no exterior.

“...se a força dos materiais se estabelece em soluções concretas, definitivas, a questão da “matéria” e conseqüente discussão conceitual se multiplica. A relação desta duas referências, como nos trabalhos anteriores, compõem uma unidade de multíplice leitura em cada obra e sugere uma multiplicidade infinita no conjunto... no entanto as questões expostas anteriormente são mantidas e se redimensionam...( Xico Chaves, 23/07/91)”













NOVA MATÉRIA ( 1987-1988-1989)

Do espaço cósmico, em busca da gravidade, esta série de trabalhos procura a matéria sólida, suas infinitas formações planetárias, aglomerações, composições geológicas, geografias, cromátismo, friabilidade, toxidade, maleabilidade e significado poético. Uma pesquisa mineral, com apoio do CNPQ, é realizada em diversas regiões do país para identificação, classificação, mapeamento da incidência de minerais e pigmentos e sua aplicação e fixação, com diversas mídias, sobre variados suportes.
As viagens e pesquisas em minas, mineradoras e paisagens resultam em representações aerofotogramétricas, apresentando relevos, derretimentos, erosões, transmutações físicas imaginárias em qualquer lugar do universo, como se o planeta ou corpo celeste fosse sempre visto do alto, ora consolidado, ora em processo de formação. A procura de um habitat e de um referencial para a existência se funde com a série estelar ”Luzz”, quase sempre ao fundo e ao mesmo tempo integrada à materialidade e matéria (assunto, reflexão) do trabalho. Foram realizadas exposições individuais ( Galeria Paulo Klabin-RJ, Documenta-SP, Galeria Athos Bulcão-DF, Palácio das Artes-BH) e diversas coletivas.

“Estrada rubra de óxido penetra montanha maciça de ferro, revela lâmina metálica pura que a luz do sol espelha. Poeira grafitada brilhante azulada voa entre o róseo e o ocre, o amarelo e o negro, o branco e o azul. Cor, manganês, hematita, titânio, fulgicita, galena, mica, cinábrio, grafite, flogopita, cobalto, nos translúcidos cristais de quartzo a memória desta paisagem se multiplica, denuncia sua dilapidação. Dinamites e tratores tecnodontes trituram em segundos o que a natureza em milênios construiu... água de chuva lava o filito que à superfície aflora, forma um creme rugoso e acetinado que recobre pedras, plantas e gravetos, cria estalactites nas cavidades da terra e suaves tecidos nas superfícies das lajes de granito liso. A sílica colorida está em baixo, em camadas, que no corte do barranco pode-se ver, (história de um fragmento do planeta, feito com a mesma matéria que compõe todo o universo). No mesmo espaço há distância e proximidade entre uma cor e outra, o percurso e a ação na natureza redescobre a forma e a alquimia dos sentidos...texturas planetárias, montanhas, vales, crateras, relevos, depressões, forças de compressão e expansão da matéria, abalos sísmicos, rústicas escritas na pedra-registro de histórias que o olho lê e relê, aerofotografa, metais e cristais que refratam, difratam e refletem luz-iridiscência, ciência, magnetismo policromático. Na retina o minério redimensiona uma geo-ótica contida na sensação de ausência de gravidade. Cromocosmo e epiderme geológica, simultâneos. ( Xico Chaves, 21/04/89).”







sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

LUZZ (1979-1984-1986)



O projeto de pintura com minerais toma corpo neste período a partir de “Pintura Invisível” realizado com carvão mineral sobre papel, uma superposição de paisagens e figuras sobre a mesma superfície até que tudo ficasse totalmente negro. Quando foi aplicado o minério de ferro especularita sobre estas superfícies, já transpostas para lonas, surge a série “Luzz”, uma multivisão cósmica e cromática sobre a materialidade e imaterialidade da pintura. Estas obras participaram da exposição “Como vai você geração 80”, na EAV-Parque Lage-RJ e resultam na primeira exposição individual nas Galerias Paulo Klabin de São Paulo e Rio de Janeiro.

Cromocosmo, cor física na difração, refração e reflexão da luz, biocromatismo ótico, holografia natural, geo-ótica, minério bruto, universo penetrável, microespelhos no carvão, fragmentos lúdicos, cores no negro, ônix, magnetismo cromático, ferro puro, micrometeoritos, epiderme cósmica, constelações incidentais, superfícies planetárias, geoquasares, pontos de cor na reflexão à distância, explosão cromática ao aproximar a retina, intersecção de infinitos. ( Xico Chaves/1986)”



O espelho do tempo

“Mina, minas, minério,mica, missa, mito e magia. Xico chaves abre as paredes, matéria opaca,negro,carvão. Descobre a cor através da escuridão, fiat lux! E assim foi feito. O poeta caminha pelos trilhos do trem, retas e ritos, trilhas e tralhas que ele recolhe do chão, da terra, pretíssima realidade, portal, o lavrador lasca, limpa, lapida, lambe a larva e a lua, alimenta o olhar, lábaro.

A matéria aí está, reduzida, ela é pó, é quase tudo. O artista destrói para construir. A ordem do caos. O trabalho humano elimina o volume, a forma, o corpo inerte da matéria e se transforma em brilho, vibração, inteireza. A ciência da arte faz dessa visceralização do corpo a razão da sua pele, planeta e molécula, objeto ao mesmo tempo coletivo e individual, completo e fragmentado, passado e futuro, agora.



A imagem é deliberadamente simplificada, quadro-negro e espelho. Ela incorpora uma quase absoluta passividade geométrica para que a meteria possa revelar toda a sua ação, o seu drama e a sua comédia, com isso ela permite várias leituras, introduzindo elementos primitivos e tecnológicos, irônicos e objetivos, operando nos limites da arte e do artesanato, inusitada salada geral temperada pela história.

O espectador tem, diante dele, um objeto pulsante, vivo, orgânico. O espectador tem, diante dele, um objeto concreto, frio, absoluto. A sua história é a história da recepção dos objetos sob sua mira transportados para o seu espaço, o se ”eu e a sua circunstância”, a cada luz uma história, a cada momento uma cor, a cada gesto uma imagem, a cada olhar um sinal, caleidoscópio, vertigem, viagem. ( Marcus de Lontra Costa, 1986)”

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ARTEPOÈTICA


Uma síntese da produção do artista visual e poeta Xico Chaves estará sendo disponibilizada neste espaço, gradativamente. O artista, que sempre trabalhou em diversos campos de expressão, desdobra em sua trajetória linguagens diversificadas em múltiplos campos de atuação. Na pintura, criação de objetos, instalações, performances, intervenções, fotografia e vídeo está situada a maior parte de seu trabalho. No entanto esta produção está referenciada em sua obra poética, onde experimenta, desde o início, sistemas de construção e conexão entre pensamento, imagem , conteúdo e livre associação. Este suporte poético, que inter-relaciona sua obra, ora se distancia ora se aproxima de uma linguagem única, o que deixa fluir com liberdade variadas direções e formas de abordar o exercício da criação. Sendo cada segmento um núcleo de referência, as proposições se desenvolvem em várias direções e assimilam a propriedade de cada assunto e seu próprio processo de mutação, conforme a idéia e o tempo , forma e matéria . Inicialmente será apresentado seu trabalho com pigmentos minerais e em seguida a diversidade de atuação nos campos da poesia escrita, musical, visual e performática , o poema-objeto e as experimentações situadas na fronteira entre estas formas de expressão. Atuações em outros campos da produção artística serão abertas à medida que se fizerem necessárias.

Currículo Resumido

Francisco de Assis Chaves Bastos( Xico Chaves)
(Currículo Resumido)

Formado em Artes e Ciência da Comunicação pela Universidade de Brasília e Centro Universitário de Brasília, Notório Saber em Artes Visuais pela Universidade de Brasília(UnB), artista visual, poeta e produtor cultural, radicado no Rio de Janeiro. Realizou diversas exposições no Brasil e exterior, publicou livros de poesia, participando de movimentos poéticos e artísticos contemporâneos. Possui letras de música gravadas por diversos parceiros e intérpretes, dentre eles Geraldo Azevedo, Jards Macalé, Elba Ramalho, Boca Livre, Zé Renato, Nara Leão, Cláudio Nucci, Marlui Miranda, Caetano Veloso, Vinícius Cantuária, Antonio Adolfo. Tem se dedicado às linguagens multimídia em arte contemporânea e utilização de pigmentos minerais em artes visuais. Realiza trabalhos de criação artística em TV, Vídeo e fotografia. Na administração pública coordenou e dirigiu projetos culturais nacionais e internacionais, foi diretor da Divisão de Audiovisual do Governo do Rio de Janeiro, assessor especial e curador do Museu Nacional de Belas artes e diretor do Centro de Artes Visuais da Funarte onde implantou projetos expositivos e criou a Rede Nacional Artes Visuais, o Programa Conexões Artes Visuais e o programa de edições contemporâneas, em vídeo, livros, DVDs e CDROM. Atualmente é Coordenador da Assessoria Especial da Presidência da Funarte e coordena, no âmbito da instituição, o programa Microprojetos Culturais Funarte/Minc/SAI, dirigido à região do semiárido.