
O projeto de pintura com minerais toma corpo neste período a partir de “Pintura Invisível” realizado com carvão mineral sobre papel, uma superposição de paisagens e figuras sobre a mesma superfície até que tudo ficasse totalmente negro. Quando foi aplicado o minério de ferro especularita sobre estas superfícies, já transpostas para lonas, surge a série “Luzz”, uma multivisão cósmica e cromática sobre a materialidade e imaterialidade da pintura. Estas obras participaram da exposição “Como vai você geração 80”, na EAV-Parque Lage-RJ e resultam na primeira exposição individual nas Galerias Paulo Klabin de São Paulo e Rio de Janeiro.
“Cromocosmo, cor física na difração, refração e reflexão da luz, biocromatismo ótico, holografia natural, geo-ótica, minério bruto, universo penetrável, microespelhos no carvão, fragmentos lúdicos, cores no negro, ônix, magnetismo cromático, ferro puro, micrometeoritos, epiderme cósmica, constelações incidentais, superfícies planetárias, geoquasares, pontos de cor na reflexão à distância, explosão cromática ao aproximar a retina, intersecção de infinitos. ( Xico Chaves/1986)”

O espelho do tempo
“Mina, minas, minério,mica, missa, mito e magia. Xico chaves abre as paredes, matéria opaca,negro,carvão. Descobre a cor através da escuridão, fiat lux! E assim foi feito. O poeta caminha pelos trilhos do trem, retas e ritos, trilhas e tralhas que ele recolhe do chão, da terra, pretíssima realidade, portal, o lavrador lasca, limpa, lapida, lambe a larva e a lua, alimenta o olhar, lábaro.
A matéria aí está, reduzida, ela é pó, é quase tudo. O artista destrói para construir. A ordem do caos. O trabalho humano elimina o volume, a forma, o corpo inerte da matéria e se transforma em brilho, vibração, inteireza. A ciência da arte faz dessa visceralização do corpo a razão da sua pele, planeta e molécula, objeto ao mesmo tempo coletivo e individual, completo e fragmentado, passado e futuro, agora.

A imagem é deliberadamente simplificada, quadro-negro e espelho. Ela incorpora uma quase absoluta passividade geométrica para que a meteria possa revelar toda a sua ação, o seu drama e a sua comédia, com isso ela permite várias leituras, introduzindo elementos primitivos e tecnológicos, irônicos e objetivos, operando nos limites da arte e do artesanato, inusitada salada geral temperada pela história.
O espectador tem, diante dele, um objeto pulsante, vivo, orgânico. O espectador tem, diante dele, um objeto concreto, frio, absoluto. A sua história é a história da recepção dos objetos sob sua mira transportados para o seu espaço, o se ”eu e a sua circunstância”, a cada luz uma história, a cada momento uma cor, a cada gesto uma imagem, a cada olhar um sinal, caleidoscópio, vertigem, viagem. ( Marcus de Lontra Costa, 1986)”
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