A série “Limites” é o desdobramento de experimentações realizadas no meio ambiente desde o início do projeto de pintura com minerais. As pinturas sobre lonas, papéis e diversos outros suportes são produzidas dentro das áreas de mineração, desmatamentos, crateras, erosões, barrancos e assoreamentos onde afloram os minerais e pigmentos, removidos pelas máquinas e explosões de dinamite ou mesmo por fenômenos naturais. Os trabalhos são desenvolvidos e concluídos “in loco”, utilizando-se a água limpa represada, corredeiras, cachoeiras e riachos e secos pela luz do sol. Diversas camadas são superpostas até se chegar ao resultado final, de forma a se confundir com o próprio fundo onde foi pintado ou a paisagem ao redor. É uma assimilação de formas e sentidos do ambiente em processo de mutação. Durante os períodos de viagens para a realização desta série foram realizadas ainda caravanas e oficinas com artistas, estudantes e pessoas da região, que também realizaram trabalhos e aprenderam a usar mídias e pigmentos para outras formas de aplicação. Neste mesmo período (1992/93) foi produzido, com direção de Felipe Lacerda e Patrícia Bromirsky e trilha sonora de Jards Macalé, o vídeo “Xico Chaves-Trajetória de Uma Pintura”, premiado no Brasil e no exterior. A série “Limites” resultou em várias exposições no país (Casa França-Brasil, Paço Imperial/RJ, Fundação Jaime Câmara/Go), no exterior e ainda oficinas, seminários, cursos e palestras em universidades, seminários e festivais.
“...percurso epidérmico sobre a geografia em transformação permanente. registro de forma e cor dos materiais encontrados, formando manchas, texturas, ranhuras, pigmentações e depósitos, que a chuva, o vento, o sol, as águas dos riachos desviados e nascentes destruídas reconstroem em busca de novo equilíbrio. Pintura produzida sob influência das mutações, rastro de uma abstração objetiva de formas reais e imaginárias, separadas por um fio tênue que migra de uma referência a outra sob a luz, entre o espírito e a matéria, a desconstrução e a construção. Cortina entre a retina e o objeto, onde a figura e a paisagem se encontram e se separam e a memória presume o futuro...( Xico Chaves, 1993)”

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