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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

NOVA MATÉRIA ( 1987-1988-1989)

Do espaço cósmico, em busca da gravidade, esta série de trabalhos procura a matéria sólida, suas infinitas formações planetárias, aglomerações, composições geológicas, geografias, cromátismo, friabilidade, toxidade, maleabilidade e significado poético. Uma pesquisa mineral, com apoio do CNPQ, é realizada em diversas regiões do país para identificação, classificação, mapeamento da incidência de minerais e pigmentos e sua aplicação e fixação, com diversas mídias, sobre variados suportes.
As viagens e pesquisas em minas, mineradoras e paisagens resultam em representações aerofotogramétricas, apresentando relevos, derretimentos, erosões, transmutações físicas imaginárias em qualquer lugar do universo, como se o planeta ou corpo celeste fosse sempre visto do alto, ora consolidado, ora em processo de formação. A procura de um habitat e de um referencial para a existência se funde com a série estelar ”Luzz”, quase sempre ao fundo e ao mesmo tempo integrada à materialidade e matéria (assunto, reflexão) do trabalho. Foram realizadas exposições individuais ( Galeria Paulo Klabin-RJ, Documenta-SP, Galeria Athos Bulcão-DF, Palácio das Artes-BH) e diversas coletivas.

“Estrada rubra de óxido penetra montanha maciça de ferro, revela lâmina metálica pura que a luz do sol espelha. Poeira grafitada brilhante azulada voa entre o róseo e o ocre, o amarelo e o negro, o branco e o azul. Cor, manganês, hematita, titânio, fulgicita, galena, mica, cinábrio, grafite, flogopita, cobalto, nos translúcidos cristais de quartzo a memória desta paisagem se multiplica, denuncia sua dilapidação. Dinamites e tratores tecnodontes trituram em segundos o que a natureza em milênios construiu... água de chuva lava o filito que à superfície aflora, forma um creme rugoso e acetinado que recobre pedras, plantas e gravetos, cria estalactites nas cavidades da terra e suaves tecidos nas superfícies das lajes de granito liso. A sílica colorida está em baixo, em camadas, que no corte do barranco pode-se ver, (história de um fragmento do planeta, feito com a mesma matéria que compõe todo o universo). No mesmo espaço há distância e proximidade entre uma cor e outra, o percurso e a ação na natureza redescobre a forma e a alquimia dos sentidos...texturas planetárias, montanhas, vales, crateras, relevos, depressões, forças de compressão e expansão da matéria, abalos sísmicos, rústicas escritas na pedra-registro de histórias que o olho lê e relê, aerofotografa, metais e cristais que refratam, difratam e refletem luz-iridiscência, ciência, magnetismo policromático. Na retina o minério redimensiona uma geo-ótica contida na sensação de ausência de gravidade. Cromocosmo e epiderme geológica, simultâneos. ( Xico Chaves, 21/04/89).”







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